É uma das perguntas que mais faço a mim mesma. Não só relativamente aos outros, mas também sobre mim. Porque o comportamento é apenas uma forma de manifestar uma necessidade que está por satisfazer. Às vezes as necessidades por satisfazer são mesmo físicas (fome, cansaço, sono). Outras são psicológicas. É a necessidade de experimentar coisas novas, de sentir que se tem valor, que a vida está sob o nosso controlo ou que estamos ligados aos outros. Questionar-me sobre isto permite-me uma abertura completamente diferente daquela que conseguiria se me focasse na forma como o outro (ou mesmo eu) se está a comportar. Dá espaço à curiosidade e não ao julgamento. Permite-me observar e ouvir mais do que as palavras ou os gestos estão a mostrar. Tenho falado muito sobre necessidades nos últimos dias. Costumo dizer que colocar esta questão mudou a minha vida. Porque me permitiu perceber por que motivo eu me estava a comportar daquela maneira. Que necessidade estava a tentar satisfazer. E isso libertou-me dum peso e angústias incríveis. Permitiu-me procurar satisfazer as minhas necessidades de uma forma mais eficaz e até mais ecológica. E alcançar resultados diferentes. Às vezes ainda me deixo ir na corrente de prestar atenção apenas ao comportamento. E julgo. E reajo. E sinto que não está certo. E todas as vezes que paro e questiono “que necessidade está por trás deste comportamento?” sinto a magia a acontecer. Os rótulos perdem peso. Principalmente no caso da minha filha, a tentativa de controlar o comportamento também. O que fica é espaço. Para observar, sentir, e procurar entender. Para ver (a mim mesma e aos outros) sob outra luz.